fbpx

Os Gancheros del Alto Tajo

Os Gancheros del Alto Tajo

Os Gancheros do Alto Tejo - Alma de Aventureiros

Durante mais de cinco séculos os rios espanhóis foram essenciais para o transporte de madeiras, desde as suas florestas em altas montanhas, até às serrações situadas nas grandes cidades. A árdua e arriscada tarefa de as conduzir rio abaixo, era praticada por homens que viriam a ficar para sempre conhecidos por Gancheros del Alto Tajo.

 

📸 Os Gancheros de Alto Tajo.

Os Gancheros del Alto Tajo

“Pastores da floresta flutuante, homens duros de pão e navalha”.
Do livro de Jose Luis Sampredro – “El río que nos lleva”.

Pela chegada da primavera, os Gancheros, ou Gancheiros do Alto Tejo, procediam ao corte dos pinheiros da floresta da alta montanha. Após um processo de purga e secagem dos troncos, e depois de aqueles adquirirem melhor capacidade de flutuação e já no inicio da época das chuvas, com o Rio Tejo com mais caudal, lançavam os troncos ao rio, onde construíam pequenas jangadas presas com cordas.

Os homens, apenas com recurso a estacas com um gancho de ferro na ponta, e com muita agilidade, enorme esforço e risco, conduziam então os troncos – ou madeiradas, rio abaixo ao longo de centenas de quilómetros, tendo como destino, maioritariamente, as serrações em Aranjuez.

A madeira, que podia ser composta por milhares de troncos com dimensões que podiam ultrapassar os doze metros de comprimento por jangada, chegava a ocupar mais de 30 quilómetros do rio, onde as quadrigas de homens com funções bem definidas, iam agrupando as jangadas, cabendo a alguns o papel da condução e a outros a árdua tarefa de se lançarem às águas rápidas e gélidas do Tejo, para reagrupamento dos troncos ou ultrapassar os obstáculos naturais que iam surgindo.

O descanso e pernoita, era muitas vezes feito nas margens em pequenos refúgios de pedra, onde por vezes se encontravam com as suas mulheres e filhos, que lhes levavam o que comer.

Era um trabalho sazonal, nómada e muito duro, justificado apenas pelo facto de trazer às famílias algum complemento monetário, devido à pouca existência de actividade agrícola.

Assim se manteve esta profissão ao longo de centenas de anos, até vir a ser interrompida por volta de1936, aquando da guerra civil espanhola.

Mais tarde, com o surgimento das primeiras barragens que viriam a anular a possibilidade de transpor os troncos e também pela construção de estradas, a profissão já em grande declínio, acabou por se perder.

 

📸 Os Gancheros del Alto Tajo | Foto reportagem.

 

ℹ️ Quando ir, o que ver e visitar:

Actualmente, e com muita vontade e esforço dos povos do Alto Tejo, foi criada uma Associação de Gancheiros e todos os anos, no último fim-de-semana do mês de Agosto, é inteiramente recriada esta nobre e secular tradição e repassada aos mais jovens, e agora também às moças gancheiras!

A festa gancheira, é organizada pela própria associação e pelas gentes das cinco localidades , intrinsecamente ligadas a esta antiga profissão. Em cada ano, tem lugar numa povoação diferente, ficando esta encarregue da receção aos convidados, onde são servidos doces regionais, aperitivos locais e no final, um lanche ou jantar comunitário, sendo ainda possível assistir à demonstração de diversas técnicas de cortes dos troncos de madeira.

Todas as povoações gancheiras do Alto Tejo, pertencem ao Município de Guadalajara, e em cada uma destas povoações, há tanto por descobrir!

Para além de toda a beleza que inevitavelmente, o Rio Tejo confere a esta zona, destacamos os inúmeros trilhos, em que muitos deles, não só nos levam a percorrer as margens de um Tejo selvagem, como nos transportam a deslumbrantes miradouros com paisagens de rara beleza.

Para quem quiser visitar a região e perceber toda a extrema importância do Rio Tejo, a geologia, fauna, flora, bem como as suas povoações e tradições, nada como fazer uma visita ao Centro Interpretativo do Alto Tejo!

Deixamos alguns sites, referentes a cada uma das povoações do Alto Tejo:

🛏 Onde ficar:

Em Hotel ou alojamento local

Em autocaravana

🍴 Onde comer:

 

 

🎥 O nosso vídeo documentário

📲 Outros conteúdos de interesse:

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *